Maninha – Letra

December 13th, 2009

Composição: Chico Buarque

Se lembra da fogueira
Se lembra dos balões
Se lembra dos luares dos sertões
A roupa no varal, feriado nacional
E as estrelas salpicadas nas canções
Se lembra quando toda modinha falava de amor
pois nunca mais cantei, oh maninha
Depois que ele chegou
Se lembra da jaqueira
A fruta no capim
Dos sonhos que você contou pra mim
Os passos no porão, lembra da assombração
E das almas com perfume de jasmim
Se lembra do jardim, oh maninha
Coberto de flor
Pois hoje só dá erva daninha
No chão que ele pisou
Se lembra do futuro
Que a gente combinou
Eu era tão criança e ainda sou
Querendo acreditar que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou
Mas não me deixe assim, tão sozinha
A me torturar
Que um dia ele vai embora, maninha
Prá nunca mais voltar…

A Música Maninha

December 14th, 2009

Esta é uma das obras mais magníficas da MPB. Chico Buarque com maestria fala das cantigas de roda, dos tempos de criança, do que víamos nos céus e o que sonhávamos.

Coloca-nos na perspectiva de meninas, novamente. Arrebata-nos ao evocar nossas expectativas de futuro. O que nos aguarda? O que poderemos realizar? O que realizaremos?

O contraste da música é o presente – um futuro frustrado. Todas as esperanças são jogadas por terra, e isso é representado através da aparição de um ‘ele’.

“Depois que ele chegou”, “No chão que ele pisou”. Deve ser alguém realmente detestável. Esse “ele” simboliza toda a impossibilidade de realização dos sonhos do protagonista da música. E ela torce pro “ele” ir embora.

Essa crônica retrata uma situação típica, cotidiana. Quantas pessoas não estão presas a uma outra, esperando que partam, para que continuem seus afazeres, suas obrigações para com a vida? Felizmente, este não é o meu caso. Mas pra maninha que estiver sob esse cárcere, vai aqui o meu recado:

“Xô, URUCUBACA!”

Maninha – Cifra

December 12th, 2009
Chico Buarque

[Intro:]  F#m7  F#m7/E Eb6 D6 E7(9)(11) A6

                E/G# F#m7             F(#5) A6/E
Se lembra da fogueira, se lembra dos balões
            G#7(b13)      C#m7(9) F#7(b13) F#7 Bm
Se lembra dos luares dos sertões
        F#7(b13)/Bb D/A           G#m7(b5)
A roupa no varal,      feriado nacional
         G6         C9        C#m7(b5) F#7(b13) F#7 B7/D#
E as estrelas salpicadas nas canções
                 E/D         C#7/F       F#m7 F#7(b9)
Se lembra quando toda modinha falava de amor
                  B7(9)          E7                    A A6
Pois nunca mais cantei, oh maninha, depois que ele chegou

Se lembra da jaqueira, a fruta no capim
Dos sonhos que você contou pra mim
Os passos no porão, lembra da assombração
E das almas com perfume de jasmim
Se lembra do jardim, oh maninha, coberto de flor
Pois hoje só dá erva daninha no chão que ele pisou

Se lembra do futuro que a gente combinou
Eu era tão criança e ainda sou
Querendo acreditar que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou
Mas não me deixe assim, tão sozinha a me torturar
Que um dia ele vai embora, maninha, pra nunca mais voltar

Chico Buarque

December 11th, 2009

Por Rodrigo Santiago.

Não há palavras que descrevam a importância do Chico na nossa música. Dono de incontáveis crônicas cantadas, é uma fonte de inspiração infinita para todos os artistas, não interessa se do ramo musical ou não.

A infinitude de sua aquarela e a plástica de suas figuras trazem todas as cores cuja forma um sentimento pode tomar

A sensibilidade parece transparecer que há mais bastonetes e cones em sua alma do que nos olhos de todos aqueles que sonham um dia serem compositores.

Eu sei que posso exagerar um pouco nas descrições. Só quero registrar o fato: Chico Buarque me ensinou a compor.

E não minto: ensinou mesmo. Quando comecei meus primeiros versos melódicos, passei pelo menos duas semanas incessantes ouvindo o que ele tinha pra me contar. E ouvia bem perto do ouvido, pra não perder nenhum detalhe. Quando absorvi suas formas e fórmulas – elas existem, pude entender que sua genialidade foi falar sobre coisas simples, cantando-as também da maneira simples.

Quando comecei a estudar composição, achei que fosse desvendar um mistério. Achei que fosse abrir um baú super iluminado, onde eu mal poderia enxergar qualquer que fosse o verdadeiro dom de compor.

Após respirar por duas semanas incessantes – e digo incessantes porque eu ESTUDEI Chico Buarque durante duas semanas sem parar. Eu PRESTEI atenção nas canções, não apenas coloquei de fundo. Foi uma experiência de alimentar a alma, não de afagar o ouvido. Bom, me perdi.

Vou retomar: após respirar por duas semanas incessantes as canções mais famosas do Chico, descobri que sua arca se resumia a um porta-jóias de bijuterias. Porque é de valores cotidianos e superficialidades que a cabeça do povo está cheia. E é dessas coisas tão baratas e eventos corriqueiros que o ser humano se arma pra expressar seus valores internos mais poderosos.

Então, foi essa a descoberta. Chico Buarque me mostrou que o super-poder está dentro de cada um. Mas que os botões que mexem com ele estão bem ao alcance de um lápis bem apontado.

Maninha – Chico Buarque

December 11th, 2009

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Tom Jobim e Chico Buarque

December 10th, 2009

Eu sei que este blog é sobre a incrível música do Chico. Mas eu preciso falar do Tom. O Chico Buarque vai me perdoar ;-)

Tom Jobim é um grande herói da música brasileira pra mim. Uma pena ele não ser um dos autores de Maninha. Na verdade, parece mesmo que ele estava lá, influenciando o Chico Buarque.

Os dois fizeram muitas músicas juntos, e o Chico ainda brincava descalço quando o Tom já fazia canções. Eu, minha maninha Maristela e a Raquel adorávamos quando meu pai cantava as canções do Tom com um ar de Vinícius – porque ele era mesmo parecido com o Vinícius de Moraes.

Quando o Tom faleceu, eu chorei muito. Imagino que o Chico Buarque tenha ficado péssimo. Certamente, foi a perda do maior dos professores, e um grande amigo.

Lamento não ter nascido antes, porque seria uma alegria muito grande acompanhar o andar da  carreira do Tom. A parte boa é que criei juízo com a carreira do Tom praticamente completa. Quando eu quis saber de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque, já estava praticamente tudo pronto.

O dueto mais marcante dos dois foi em Bolero, que por sinal foi feita por encomenda pra um filme Fonte da Saudade, baseado em no livro Trilogia do Assombro, assinado pela maninha do Tom, Helena Jobim.

Essa música tem um charme absurdo. Um jazz anos dourados triunfal, e uma voz impecável e super charmosa do Chico. Qual é a menina que, ouvindo essas músicas, não cresce uma mulher adorável?

As meninas que se cuidassem, porque lá estavam Chico e Tom, preparando uma gravação inesquecível. Retrataram uma dor tão cotidiana e certeira que, não importa a época, a canção sempre vai soar familiar.

Segue um vídeo do inesquecível Anos Dourados, a música que originalmente se chamava Bolero:

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Te Amo, Maninha!

December 6th, 2009

Uma deixa pra eu falar de uma pessoa especialíssima: minha maninha Raquel.

A canção do Chico retrata um viés da passagem do tempo. É melancólica, triste e linda ao mesmo tempo, quando evoca uma irreparável nostalgia. E tem muito a ver com a vida da minha doce maninha.

Quando menina, seu futuro estava mais do que certo e ajustado. Tudo parecia muito claro e o deserto era um vão onde sabia que seu coraçaõ nunca pararia. Cresceu ouvindo o Chico. Maninha, em especial, não sei se ouviu. Mas que trata bem do que passou, ah, isso trata.

Não que eu queira contar os meandros do que aconteceu, e não quero. Mas os dois tempos – o antes e o depois do crescimento – são fielmente delineados pela composição. Como a vida nos prega peças. Não a vida, mas as pessoas que nos cercam.

“No chão que ele pisou” vai demorar a florescer alguma coisa. Mas as sementes estão lá, colocadas. Prontinhas pra próxima primavera. O que se esconde por baixo de nosso semblante é aquilo que verdadeiramente somos e queremos ser. Nosso eu interior, onde nem todo mundo chega. Nosso coração.

Uma tristeza quando nos deixamos abrir como uma flor e descobrimos que estamos cercados pela erva daninha. Ela cresce aos poucos, nos obriga a fugir. Mas a verdade é que muitas vezes resolvemos voluntariamente apostar que não precisaremos.

O tempo passou, o véu rompeu, a flor que desabrochou foi sufocada. Mas Raquel é muito, muito forte, muito mais do que eu. Ela encara a vida. Outras pessoas, não. É essa a atitude que verdadeiramente admiro na minha irmã. Um senso de realidade inigualável. Uma semente forte, próxima a germinar novamente, e fazer surgir uma 0outra flor.

Essa foi uma singela homenagem à minha maninha querida, inspirada por uma das canções.

Te Adoro, Maninha!

November 30th, 2009

Essa aqui é uma homenagem à maninha mais poderosa-salve-salve. Maristela.

O que poderia falar dela? Maris é uma irmã bem mais crescida do que eu. Ela foi como uma tia pra mim. Como não morávamos juntas, era sempre uma festa quando nos víamos.

*Certos detalhes são muito pessoais, por isso não vou falar aqui.*

Então, como é essa minha maninha? Ela é uma das pessoas mais batalhadoras que conheço, de longe. Não pára uma horinha sequer. Religiosa na medida certa, sem exageros, tem em seu culto seus momentos de folga. Mas que não deixa de ser uma obrigação.

Maris não faria nada disso se os frutos de seu trabalho e a experiência do seu dia a dia não fossem prazerosos. Quando a vejo em seu labor, crio forças eu mesma para seguir minha estrada. Maristela me mostra que a vida não é fácil, mas que pode ser conquistada a braçadas largas.

Meu cunhado, seu marido, é uma pessoa extremamente bem humorada. Posso dizer que bastante irônica também, mas um gentlemen gracioso, que nunca faria mal a ninguém. Esse casal, depois dos meus pais, provavelmente são o casal que mais admiro em minha vida. Há vários outros, claro. Mas a química que acontece entre os dois também me inspira.

Maristela não é muito fã de Chico Buarque. Mas também não nega que suas canções são de extremo bom gosto. Acontece só que essa não é uma paixão pra ela.

No entanto, com relação ao Tom Jobim, acho que a maninha Maris sente a mesma falta que eu sinto. Maninha, você é uma mulher de aço. Te adoro!

Maninha

January 6th, 2002

Rodrigo Santiago aqui, nesse post.

Coisa linda. A melhor música é aquela que a gente canta do fundo da alma, não importa se é profissional ou não :-)

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