Chico Buarque

Por Rodrigo Santiago.

Não há palavras que descrevam a importância do Chico na nossa música. Dono de incontáveis crônicas cantadas, é uma fonte de inspiração infinita para todos os artistas, não interessa se do ramo musical ou não.

A infinitude de sua aquarela e a plástica de suas figuras trazem todas as cores cuja forma um sentimento pode tomar

A sensibilidade parece transparecer que há mais bastonetes e cones em sua alma do que nos olhos de todos aqueles que sonham um dia serem compositores.

Eu sei que posso exagerar um pouco nas descrições. Só quero registrar o fato: Chico Buarque me ensinou a compor.

E não minto: ensinou mesmo. Quando comecei meus primeiros versos melódicos, passei pelo menos duas semanas incessantes ouvindo o que ele tinha pra me contar. E ouvia bem perto do ouvido, pra não perder nenhum detalhe. Quando absorvi suas formas e fórmulas – elas existem, pude entender que sua genialidade foi falar sobre coisas simples, cantando-as também da maneira simples.

Quando comecei a estudar composição, achei que fosse desvendar um mistério. Achei que fosse abrir um baú super iluminado, onde eu mal poderia enxergar qualquer que fosse o verdadeiro dom de compor.

Após respirar por duas semanas incessantes – e digo incessantes porque eu ESTUDEI Chico Buarque durante duas semanas sem parar. Eu PRESTEI atenção nas canções, não apenas coloquei de fundo. Foi uma experiência de alimentar a alma, não de afagar o ouvido. Bom, me perdi.

Vou retomar: após respirar por duas semanas incessantes as canções mais famosas do Chico, descobri que sua arca se resumia a um porta-jóias de bijuterias. Porque é de valores cotidianos e superficialidades que a cabeça do povo está cheia. E é dessas coisas tão baratas e eventos corriqueiros que o ser humano se arma pra expressar seus valores internos mais poderosos.

Então, foi essa a descoberta. Chico Buarque me mostrou que o super-poder está dentro de cada um. Mas que os botões que mexem com ele estão bem ao alcance de um lápis bem apontado.

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