Te Amo, Maninha!

Uma deixa pra eu falar de uma pessoa especialíssima: minha maninha Raquel.

A canção do Chico retrata um viés da passagem do tempo. É melancólica, triste e linda ao mesmo tempo, quando evoca uma irreparável nostalgia. E tem muito a ver com a vida da minha doce maninha.

Quando menina, seu futuro estava mais do que certo e ajustado. Tudo parecia muito claro e o deserto era um vão onde sabia que seu coraçaõ nunca pararia. Cresceu ouvindo o Chico. Maninha, em especial, não sei se ouviu. Mas que trata bem do que passou, ah, isso trata.

Não que eu queira contar os meandros do que aconteceu, e não quero. Mas os dois tempos – o antes e o depois do crescimento – são fielmente delineados pela composição. Como a vida nos prega peças. Não a vida, mas as pessoas que nos cercam.

“No chão que ele pisou” vai demorar a florescer alguma coisa. Mas as sementes estão lá, colocadas. Prontinhas pra próxima primavera. O que se esconde por baixo de nosso semblante é aquilo que verdadeiramente somos e queremos ser. Nosso eu interior, onde nem todo mundo chega. Nosso coração.

Uma tristeza quando nos deixamos abrir como uma flor e descobrimos que estamos cercados pela erva daninha. Ela cresce aos poucos, nos obriga a fugir. Mas a verdade é que muitas vezes resolvemos voluntariamente apostar que não precisaremos.

O tempo passou, o véu rompeu, a flor que desabrochou foi sufocada. Mas Raquel é muito, muito forte, muito mais do que eu. Ela encara a vida. Outras pessoas, não. É essa a atitude que verdadeiramente admiro na minha irmã. Um senso de realidade inigualável. Uma semente forte, próxima a germinar novamente, e fazer surgir uma 0outra flor.

Essa foi uma singela homenagem à minha maninha querida, inspirada por uma das canções.

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